Zé Luiz: “Essa pele e essa alma que habito”

Eugênio Nascimento

José Luiz Gomes, advogado e militante dos direitos humanos, é servidor aposentado da Justiça Federal, mora em Salvador (BA), foi  presidente do Diretório do Centro Acadêmico Silvio Romero e do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe (DCE/UFS), onde estudou Direito (1975 a 1979) e nos últimos três anos publicou três livros – “Poetílico – Poemas e Outras Coisas Escritas , em 2017, e  Rebeldia, Sonhos e Utopias – Causos do Rio Corrente (2018) e, agora, neste ano de 2021 aparece com “Essa Pele e Essa Alma em que Habito”.

A nova publicação de Zé Luiz (Essa pele e…), é uma breve autobiografia marcada por passagens em Sergipe, onde morou e estudou Direito, e na Bahia, estado em que atuou na defesa de trabalhadores rurais. Narra também alguns momentos de atitudes do dia a dia. Para o autor, “esse livro é o resultado de angustiante reflexão acerca da frase do cartunista argentino Joaquin Salvador Lavado Tejón (Quino) – Por que justo a mim me “coube ser eu?”. Essa é uma questão que me intrigou desde sempre”.

No primeiro texto – História da Riqueza do homem – Zé Luiz, expõe o episódio de sua prisão durante a visita do então presidente Ernesto Geisel a Sergipe. Zé Luiz e mais Milson Barreto e Clímaco César tentaram entregar um manifesto em defesa da liberdade do estudante e membro da Pastoral da Juventude do Recife (PE), o pernambucano Edival Nunes, o “Cajá”. As prisões ocorreram em frente ao Palácio Olímpio Campos, sede do Governo de Sergipe. isso aconteceu em 1978.

Mais um fato ocorrido em Sergipe, especificamente no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), é relembrado quando era realizado evento de cunho marxista e um suposto estudante que teria caído na turma de Direito de “paraquedas “ gravava as palestras a partir do lugar em que se encontrava, no meio da plateia. Zé convidou o suposto “tira” a colocar o gravador  na mesa ocupada pelos palestrantes “para obter melhor qualidade da gravação”. O susto foi grande e o gravador caiu das mãos do “olheiro” ou “dedo duro”.

Há muitos outros relatos interessantes no livro de 102 páginas e 44 episódios. Os mais interessantes ocorridos na Bahia dizem respeito à atuação do advogado na defesa da luta dos trabalhadores rurais. Para quem não sabe. Zé Luis deixou Sergipe atendendo convite do segmento progressista da Igreja Católica e foi para a Bahia substituir o advogado Eugênio Lyra, assassinado na região de Barreiras, Santa Maria da Vitória… e  lá se fez cada vez mais um militante da defesa dos direitos humanos focado na luta dos trabalhadores rurais.

A sua atuação é reconhecida na Bahia (se fez presente em vários municípios, sempre alinhado com o movimento de trabalhadores rurais), onde também foi cofundador e ex-presidente  da Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR)  e assessorou  o Movimento Sindical de Trabalhadores Rurais da Comisssão Pastoral da Terra. A sua militância no Movimento Estudantil, em Sergipe, e a sua atuação em defesa dos mais oprimidos na Bahia o fez um incansável crítico das injustiças sociais e um sonhador de uma sociedade, justa solidária e fraterna.

Sobre o autor, a professora Ana Lúcia Menezes, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (Sintese) disse: “Zé Luís, quando assumi a presidência do SINTESE fiz o convite e ele aceitou ser advogado da entidade. Muito competente e sério, porém decidiu retornar para a Bahia e assim perdemos nosso advogado. Diomedes (Santos Silva)foi quem nos apresentou a Zé Luiz”.

Entre os títulos explorados por Zé Luiz eu destaco, além de “História da riqueza do homem”. “Eu sou comunista”, “Pimenta não é refresco”, “Rio São Francisco”, “Canudos: revolução dos camponeses no sertão baiano”, “O mundo é um moinho”, A missa dos quilombos”, “Viagem alucinógena” e “Os donos do poder”.

O livro é uma publicação da Scortecci Editora e tem apresentação de Rosilene Evangelista, procuradora-chefe da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Quer saber mais? Leia “Essa Pele e Essa Alma em que Habito”.  A leitura do livro é recomendada para o público leitor em geral e em especial a estudantes universitários e a pesquisadores do movimento estudantil, advogados e militantes do movimento de trabalhadores rurais. Zé Luiz planeja lança-lo em Aracaju logo em breve.

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