Parlamentares questionaram valores relacionados à realização de corrida no município e cobraram divulgação detalhada do contrato; suspeita de superfaturamento foi levantada na tribuna, mas não foi comprovada
Por Kleber Santos
(PRIMEIRA MÃO) – Um contrato relacionado à realização de uma corrida em Nossa Senhora do Socorro provocou questionamentos e troca de acusações durante sessão da Câmara Municipal, nesta terça-feira, 8. Vereadores cobraram transparência sobre os gastos e afirmaram que o valor da contratação chegaria a quase R$ 500 mil.
Um dos principais questionamentos partiu do vereador Charlys de Gel (Agir). Durante o discurso, ele afirmou que o secretário responsável pela área teria se pronunciado publicamente após as críticas, mas não teria apresentado as informações que, segundo o parlamentar, interessavam à população.
“Você falou, falou, falou, mas o que interessa ao povo, o contrato, Vossa Excelência não falou. E o povo quer clareza”, declarou Charlys.
O vereador afirmou não ser contrário à realização da corrida, mas defendeu que eventos desse tipo sejam promovidos de maneira responsável. “Eu não sou contra a corrida, não. Eu sou a favor. Agora, de forma responsável e não de forma irresponsável”, disse.
No ponto mais delicado do discurso, Charlys utilizou a expressão “contrato superfaturado” ao questionar a reação do secretário às cobranças feitas na Câmara. “Aí quando fala em um contrato superfaturado, olha aí, quem não deve não treme”, afirmou o parlamentar.
A declaração representa uma acusação feita pelo vereador na tribuna. No trecho analisado da sessão, não foram apresentados documentos, auditorias ou decisões de órgãos de controle que comprovem superfaturamento no contrato.
Charles voltou a defender a divulgação das informações e disse que poderá recorrer à Justiça caso não obtenha esclarecimentos.
“O que eu quero é transparência. E se você não trouxer transparência, venha nesse Parlamento e dê a explicação ou então faça um vídeo. Mas, se você não der, você vai dar na Justiça”, declarou.
“Quase meio milhão”
A discussão ganhou novos contornos quando o vereador Luiz Paulo Panzuá (PRTB) também saiu em defesa da fiscalização realizada pela Câmara e questionou a origem e o valor da contratação.
Segundo ele, inicialmente havia sido informado que a corrida seria gratuita, mas posteriormente os vereadores teriam se deparado com um contrato de valor próximo a R$ 500 mil.
“A única coisa que o vereador fez foi pedir transparência em um contrato que a gente não sabe como começou nem como terminou”, afirmou.
Na sequência, o parlamentar declarou: “Segundo o vereador desta Casa aqui disse que a corrida tinha sido 0800. Aí, de repente, a gente se depara com um contrato de quase meio milhão. É quase meio milhão. Não é pouco dinheiro, não, para corrida, não.”
A fala reforçou a cobrança para que sejam apresentados detalhes sobre os serviços efetivamente contratados e os custos envolvidos na realização do evento.
O parlamentar também afirmou que a Câmara poderá ampliar a fiscalização caso encontre outros indícios que considere relevantes. “Se a gente se deparar lá com outras coisas, vereador Charlys, nós vamos fiscalizar”, afirmou.
Depois de novas críticas ao secretário, Charlys encerrou o ponto central de sua manifestação afirmando que, apesar da reação às cobranças, as informações sobre a contratação não teriam sido apresentadas. “Mas o importante: ele não falou do contrato”, declarou.
Foto principal: Vereador de N. Sra. do Socorro, Charlys de Gel. (Crédito: Reprodução do Youtube)



