Número de cidades com mais demissões do que admissões se aproxima do registrado durante a pandemia e expõe concentração da geração de empregos na capital
Por Kleber Santos*
(BLOG PRIMEIRA MÃO) – O mercado de trabalho acendeu um sinal de alerta em Sergipe. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que 31 dos 75 municípios sergipanos encerraram o primeiro semestre de 2026 com saldo negativo de empregos formais.
Isso significa que, nessas cidades, o número de trabalhadores demitidos superou o de contratados entre janeiro e junho. O problema atinge 41% dos municípios do estado e revela uma recuperação econômica desigual, fortemente dependente da capital.
Enquanto dezenas de cidades perderam postos de trabalho, Aracaju apresentou saldo positivo de 4.137 vagas e manteve a liderança na geração de empregos com carteira assinada.
Capela e Laranjeiras lideram perdas
As situações mais graves foram registradas em Capela, com saldo negativo de 1.107 empregos, e Laranjeiras, com perda de 1.032 postos formais.
Também aparecem com resultados preocupantes Riachuelo (-372), Japaratuba (-177), Nossa Senhora do Socorro (-105) e Canindé de São Francisco (-103).

O resultado não representa apenas uma estatística negativa. Ele significa menos renda circulando no comércio, maior pressão sobre as famílias e redução da capacidade econômica dos municípios do interior.
A dimensão do problema aparece com mais clareza quando os números são comparados com a série histórica do Novo Caged, disponível desde 2020.
Naquele ano, marcado pelo impacto da pandemia da Covid-19, 37 municípios sergipanos registraram saldo negativo de emprego formal. Aracaju também encerrou o período no vermelho.
Em 2021, ainda durante o governo Belivaldo Chagas, o número caiu para 13 municípios. Em 2022, foram 14.
No primeiro ano da gestão de Fábio Mitidieri, em 2023, a quantidade subiu para 22 municípios. Depois, recuou para 20 em 2024 e para 18 em 2025. Agora, no primeiro semestre de 2026, saltou para 31.
Assim, Sergipe está a apenas seis municípios de repetir a dimensão territorial da crise registrada em 2020. Embora os contextos econômicos sejam diferentes e a comparação exija cautela, o avanço do saldo negativo no interior acende um sinal de alerta.
QUANTIDADE DE MUNICÍPIOS NO VERMELHO POR ANO
2020: 37
2021: 13
2022: 14
2023: 22
2024: 20
2025: 18
2026: 31 (até junho)
(Dados do Novo Caged/MTE)
O salto de 18 para 31 cidades representa um aumento de aproximadamente 72% na quantidade de municípios com saldo negativo em relação a 2025.
O comportamento ao longo de 2026 também não aponta uma melhora consolidada. Em janeiro, 37 municípios apresentaram saldo negativo. Foram 29 em fevereiro, 37 em março, 28 em abril, 36 em maio e 30 em junho.
A média mensal no primeiro semestre ficou próxima de 33 cidades com mais desligamentos do que admissões.
A oscilação mostra que o problema não ficou restrito a um único mês. Em todos os meses do semestre, pelo menos 28 municípios perderam empregos formais.
DEPENDÊNCIA DE ARACAJU
No primeiro semestre de 2026, Sergipe registrou saldo positivo de 4.885 empregos com carteira assinada. Desse total, 4.137 vagas foram abertas em Aracaju. Ou seja, sem a capital, os outros 74 municípios teriam gerado, juntos, somente 748 saldo de vagas.
A concentração evidencia a fragilidade do desempenho fora da capital. Enquanto Aracaju sustenta os números estaduais, uma parcela significativa do interior perde postos de trabalho.
O saldo total de Sergipe em 2026 também ficou abaixo dos resultados alcançados no primeiro semestre de 2025, quando foram geradas 6.498 vagas, e de 2024, com 5.108. Na comparação com 2025, houve uma queda de aproximadamente 25% na geração líquida de empregos formais.
Os números do Novo Caged deixam claro que quando 31 municípios perdem empregos e a capital segura o resultado positivo, o crescimento deixa de ser estadual e passa a ser territorialmente concentrado.
O desafio estadual é monstrar que os investimentos podem se transformar em empregos efetivos também fora de Aracaju. Caso contrário, Sergipe poderá encerrar 2026 com um mapa do trabalho perigosamente próximo daquele observado no período mais crítico da pandemia.
*Kleber Santos é jornalista, pós-graduado em Jornalismo Cultural, MBA em Mídia Digital e pós-graduando em Inteligência Artificial.
Imagem do título: Criada por IA



