Priscila da Clínica (PSB) afirmou que homens só deixarão de matar quando mulheres também matarem; declaração ocorreu durante debate sobre assassinato no município
Por Kleber Santos
(PRIMEIRA MÃO) – A vereadora Priscila da Clínica (PSB) defendeu uma reação letal de mulheres contra agressores durante a sessão da Câmara Municipal de Salgado, na última terça-feira, 25. A declaração foi feita enquanto os parlamentares discutiam o feminicídio de Edna, assassinada no povoado Quebradas.
Ao comentar a frequência dos crimes contra as mulheres, Priscila afirmou que os homens somente começariam a parar de matar quando as mulheres também passassem a matá-los.
“Eu acho que os homens só vão começar a parar de matar as mulheres quando as mulheres começarem a matar os homens”, declarou.
A própria vereadora reconheceu, logo depois, que sua fala poderia ser interpretada como incentivo à violência. Mesmo assim, reiterou a posição.
“Está demais. Eu acho que as mulheres vão ter que começar a matar também para os homens verem que mulheres também têm coragem”, prosseguiu.
Em outro momento do pronunciamento, Priscila afirmou que reagiria de forma letal caso fosse agredida por um homem.
“O homem que levanta a mão para mim, ou ele fica vivo ou eu. Mas nós dois no mesmo mundo não existem”, disse.
Declaração ocorreu após feminicídio
As frases foram pronunciadas em meio à comoção provocada pelo assassinato de Edna. Segundo os relatos apresentados na Câmara, a vítima foi morta pelo companheiro e deixou filhas.
O presidente da Câmara, Silvano dos Santos, cobrou que o Conselho Tutelar e a Assistência acompanhassem a criança para garantir que a guarda ficasse com a irmã.
Já Priscila classificou o assassinato como um ato de covardia e chamou atenção para os efeitos permanentes da violência sobre os familiares da vítima. A parlamentar também criticou o machismo e a tentativa de responsabilizar mulheres pelas agressões que sofrem.
Durante a mesma sessão, a vereadora Mafy de Ygor Gomes (PT) defendeu a atuação conjunta das secretarias municipais de Saúde, Educação e Assistência Social. Segundo ela, Salgado precisa desenvolver ações permanentes de prevenção e aproximar os serviços públicos das mulheres que vivem nas comunidades.
Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma agressão podem procurar a Polícia Militar pelo número 190 em casos de emergência. O Ligue 180 recebe denúncias, oferece orientações e encaminha os casos aos órgãos competentes gratuitamente, durante 24 horas por dia.



