Campanha pelo Governo de Sergipe ganha as ruas com seis candidatos na disputa

O Primeira Mão inicia nesta segunda-feira uma série de reportagens sobre as eleições de 2026

Por Kleber Santos*

(BLOG PRIMEIRA MÃO, Aracaju) — A campanha começou, mas a largada não encontrou todos os candidatos na mesma posição.

De um lado está o governador Fábio Mitidieri, que tentará convencer o eleitorado a renovar o contrato por mais quatro anos. Do outro, cinco adversários dispostos a transformar a eleição num julgamento de sua administração. Entre eles, Valmir de Francisquinho aparece como o nome de maior projeção eleitoral e o principal interessado em empurrar a disputa para o segundo turno.

Os demais começam uma corrida paralela: precisam apresentar-se ao eleitor antes de tentar conquistá-lo.

Arte: Primeira Mão/IA (Fotos: Arquivo dos candidatos no TSE)

Nesse domingo, 23, os seis candidatos ao Governo de Sergipe completaram a primeira semana com autorização para pedir votos, divulgar seus números e ocupar ruas, palanques e redes sociais. Começou a fase em que pré-candidatos viram candidatos, alianças passam pelo teste da realidade e discursos precisam encontrar quem esteja disposto a ouvi-los.

A disputa envolve 1.740.124 eleitores espalhados pelos 75 municípios sergipanos. Até 4 de outubro, cada caminhada será apresentada como demonstração de força, cada adesão será celebrada como decisiva e cada fotografia tentará produzir a impressão de que a vitória já começou. O próximo governador assumirá em 6 de janeiro de 2027 e permanecerá no cargo até janeiro de 2031.

Campanhas também são disputas pela fabricação de expectativas.

Se nenhum candidato receber mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados voltarão às urnas em 25 de outubro. A eleição começa com seis nomes, mas boa parte da batalha será travada para saber quais deles conseguirão ocupar as duas cadeiras de uma eventual rodada final.

O governador, Valmir e os cinco adversários

Fábio Mitidieri concorre à reeleição pelo número 55, à frente da coligação Sergipe Cresce com Você. Como todo governante que busca permanecer no cargo, ele carrega uma vantagem e um problema: dispõe da visibilidade proporcionada pelo governo, mas não pode fugir da responsabilidade pelo que aconteceu durante sua gestão.

Sua campanha precisará transformar obras, programas e indicadores administrativos em votos. A oposição tentará fazer o caminho inverso: associar ao governador tudo o que o eleitor considera insuficiente, atrasado ou mal resolvido.

Valmir de Francisquinho, número 10, representa a coligação Muda Sergipe com a Força do Povo. Ex-prefeito de Itabaiana, ele entra na disputa com capital político acumulado e uma base eleitoral reconhecida. Seu principal desafio será atravessar as fronteiras de seu território mais fiel e estadualizar sua imagem de candidato competitivo.

Para Valmir, não basta continuar forte em Itabaiana e no Agreste. Uma eleição estadual exige presença consistente na Grande Aracaju, no interior e nos municípios onde as alianças locais costumam falar mais alto do que as direções partidárias.

Ricardo Marques, número 22, concorre pela coligação Fé e Coragem pra Mudar. Ele buscará ocupar o espaço do eleitor insatisfeito com os grupos tradicionais e transformar o discurso de mudança em uma candidatura eleitoralmente viável. A dificuldade será provar que representa mais do que uma alternativa no papel.

A Federação PSOL-Rede apresenta Dr. Helton, número 50. Sua candidatura abre espaço para uma agenda identificada com o campo progressista e deverá buscar diferenciação em relação aos grupos que dominam a política estadual. O desafio será romper os limites de um eleitorado ideologicamente mais definido.

Emanuel Cacho, número 45, representa a Federação PSDB-Cidadania. Ele precisará construir reconhecimento durante a própria campanha, tarefa difícil numa disputa curta e congestionada. Antes de convencer o eleitor a votar em seu projeto, terá de fazer com que uma parcela relevante do estado saiba que ele está concorrendo.

Taty Cristina de Jesus, número 27, é a candidata do Democracia Cristã e a única mulher entre os seis nomes registrados. Sua presença expõe uma contradição conhecida: as mulheres são maioria no eleitorado, mas continuam minoria nas principais disputas de poder.

Os pedidos de registro ainda podem ser analisados e julgados pela Justiça Eleitoral.

A existência de seis candidatos sugere diversidade. Não significa equilíbrio.

As campanhas começam com estruturas partidárias diferentes, tempos distintos de exposição e graus desiguais de conhecimento público. Alguns candidatos precisam ampliar seus territórios eleitorais. Outros ainda terão de apresentar seus nomes, rostos e projetos.

Fábio e Valmir partem com a vantagem do reconhecimento. Os outros quatro buscarão espaço entre a polarização, a insatisfação e o desejo de novidade. Para eles, debates, entrevistas e redes sociais terão importância ainda maior. São oportunidades para furar o bloqueio imposto pelas campanhas mais estruturadas.

A propaganda gratuita no rádio e na televisão começa na sexta-feira, 28. Será o primeiro grande teste de comunicação. Nesse momento, as candidaturas deixarão o círculo dos militantes, aliados e seguidores para alcançar o eleitor menos interessado no cotidiano da política.

Também começará a temporada das biografias editadas. Realizações serão ampliadas, fracassos serão omitidos e candidatos serão apresentados como personagens cuidadosamente construídos. Na propaganda eleitoral, ninguém chega ao estúdio por acaso. Até a espontaneidade costuma seguir roteiro.

A eleição será decidida pelo maior eleitorado já registrado no estado. Sergipe possui 1.740.124 pessoas aptas a votar, crescimento de 4,09% em comparação com 2022, quando o cadastro reunia 1.671.801 eleitores.

Em 2010, eram 1.425.973. Em 16 anos, o estado incorporou 314.151 eleitores, uma alta de 22,03%.

EVOLUÇÃO CONTÍNUA DO NÚMERO DE ELEITORES

2010:
1.425.973 eleitores;
2014: 1.454.165;
2018: 1.577.058;
2022: 1.671.801;
2026: 1.740.124.

O cadastro eleitoral também reúne 18.076 pessoas com deficiência declarada, equivalentes a 1,04% do total, e 274 eleitores que utilizam nome social.

A votação será organizada em 29 zonas eleitorais, 6.052 seções e 1.167 locais distribuídos pelos 75 municípios.

Os números dão a dimensão logística da eleição. Não explicam, porém, como o estado votará. Para isso, será necessário observar diferenças regionais, alianças municipais, desempenho dos candidatos nas cidades mais populosas e capacidade de mobilização das chapas proporcionais.

A disputa pelo governo dividirá as atenções com uma eleição especialmente concorrida para o Senado. Sergipe escolherá dois senadores, cada um com mandato de oito anos.

11 candidatos registrados: André Moura, Coronel Rocha, Delegado Alessandro, Delegado André David, Eduardo Amorim, Edvaldo, Iran Barbosa, Paulinho da União TUR, Renatinha, Rodrigo Valadares e Rogério Carvalho.

A lista reúne parlamentares, ex-prefeitos, antigos ocupantes de cargos públicos e candidatos que tentarão transformar bandeiras ideológicas ou reconhecimento profissional em votos. Como cada eleitor poderá escolher dois nomes, alianças formais não impedirão movimentos cruzados e combinações pouco previsíveis.

Nas eleições proporcionais, 139 candidatos disputam as oito cadeiras de Sergipe na Câmara dos Deputados. Outros 220 concorrem às 24 vagas da Assembleia Legislativa.

Essas candidaturas não funcionam apenas como coadjuvantes. São elas que ajudam a instalar palanques, organizar agendas, mobilizar lideranças e levar as campanhas majoritárias aos municípios. Em muitas cidades, o candidato a governador chegará ao eleitor pelas mãos de quem disputa uma cadeira de deputado.

No papel, os candidatos ainda têm algumas semanas para apresentar propostas e conquistar votos. Na prática, o tempo é mais curto. Campanhas podem mudar de direção, mas impressões consolidadas são difíceis de desfazer.

A largada já foi dada. Fábio Mitidieri tentará transformar o governo em argumento para continuar. Valmir de Francisquinho buscará converter sua força política numa alternativa estadual. Os outros quatro precisarão mostrar que não entraram na disputa apenas para compor a fotografia.

Daqui até 4 de outubro, caberá ao eleitor sergipano comparar trajetórias, propostas e compromissos antes de decidir quem conduzirá o estado nos quatro anos seguintes.

*Kleber Santos é cofundador do Primeira Mão, jornalista (DRT/SE 1007), pós-graduado em Jornalismo Cultural, possui MBA em Mídia Digital e é pós-graduando em Inteligência Artificial.

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