Uma decisão regulatória e um episódio de possível sabotagem colocaram o sistema de abastecimento de água em Sergipe no centro do debate público. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe anunciou a suspensão da cobrança da tarifa mínima, enquanto autoridades investigam uma intervenção criminosa que comprometeu o fornecimento em bairros de Aracaju.
A medida da AGRESE, formalizada por meio de portaria, suspende a chamada “tarifa de disponibilidade”, equivalente ao consumo mínimo de 10 metros cúbicos. A partir de maio de 2026, os usuários atendidos pela concessionária Iguá Sergipe passarão a pagar exclusivamente pelo volume efetivamente registrado no hidrômetro.
Segundo o diretor técnico da agência, Michael Arcieri, a decisão tem caráter protetivo diante das falhas no serviço. “A medida visa resguardar o consumidor contra erros operacionais, intermitências e falta de continuidade no abastecimento”, afirmou. Ele acrescentou que a cobrança mínima só poderá ser retomada após a concessionária comprovar, por meio de relatórios técnicos, a plena regularização do sistema.
A suspensão tem validade em toda a área de concessão da Iguá no estado. Em caso de descumprimento, a empresa poderá ser alvo de sanções administrativas e aplicação de multas.
Paralelamente à medida regulatória, um episódio de possível sabotagem agravou a situação do abastecimento. De acordo com o diretor-geral da concessionária, Fernando Vieira, houve a violação de uma estrutura de concreto e a manipulação indevida de um registro de grande porte, com cerca de 800 milímetros, na região do Aloque, na capital.
O equipamento, que deveria permanecer aberto para garantir o fluxo de água, foi fechado ou danificado por indivíduos com conhecimento técnico e uso de ferramentas específicas. A ação resultou na redução de aproximadamente 40% da pressão da água, impactando cerca de 16 bairros das zonas sul e de expansão de Aracaju.
Diante da gravidade do caso, a investigação foi encaminhada à Polícia Civil e à perícia criminal. O governador Fábio Mitidieri classificou o episódio como um “caso de polícia”, ressaltando que a ação atinge diretamente a dignidade da população ao comprometer um serviço essencial.
A combinação entre falhas operacionais e suspeitas de sabotagem intensifica a pressão sobre a concessionária e amplia o debate sobre a qualidade e a segurança do abastecimento de água no estado, colocando o tema como prioridade na agenda pública nas próximas semanas.




