-Dra. Cecília Maria Passos Vázquez (@nutriceciliavazquez) – Mestre e Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS, Nutricionista do Serviço Integrado Gastroenterologia e Obesidade
-Profa. Dra. Tatiana Rodrigues de Moura – Farmacêutica e Professora Associada IV do Departamento de Morfologia da UFS, Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS
A obesidade é a grande pandemia do século XXI, e não é surpresa para os estudiosos que esta condição provocará a redução da expectativa de vida até nas sociedades desenvolvidas. Sinônimo de excesso de tecido adiposo e aumento de células adiposas, a doença contribui para o quadro inflamatório sistêmico, associado ao maior risco de desenvolver a diabetes, doença cardíaca ou acidente vascular cerebral e tudo isso é muito sério.
Existe correlação com o componente genético? Sim, mas não está apenas no DNA a grande causa do aumento crescente desta desordem nutricional. Sem dúvida, os hábitos passados de pais para filhos, como sedentarismo e um estilo de vida não saudável, são determinantes para o desenvolvimento da obesidade.
A transformação do estilo de vida guiado para promover o balanço energético negativo, ou seja, realizar uma dieta de baixo teor calórico, associada ao aumento de atividade física é o caminho para o controle da doença, o emagrecimento e melhora da qualidade de vida.
Qual seria grande causa de a curva da obesidade ser crescente? Podemos dizer que existem dois grandes pontos: a dificuldade de adesão a dietas restritivas e a falta de manutenção de uma atividade física regular.
O fato é que o ser humano não come apenas por fome fisiológica. Comemos muito e muitas vezes descontroladamente por não saber nos relacionar de forma equilibrada com os nossos sentimentos, com as sensações e com as dificuldades da vida pessoal, profissional e social. Certamente, a comida por ser de fácil acesso e por oferecer prazer entra como uma válvula escapatória.
Por exemplo, o que é mais confortável e prático para você: ir em uma sessão de terapia; fazer uma meditação; ler um livro; fazer um exercício; ou comer metade de um bolo de chocolate?
O bolo de chocolate será a opção da maioria, acredite!
Aliada à pandemia da obesidade temos outra pandemia, a COVID-19. Com a presença prolongada do vírus, o comportamento humano está sendo modificado. O confinamento, o medo da morte, as incertezas do amanhã e a ansiedade são sintomas que permeiam a maioria da população e a forma mais rápida, barata, simples e sem sair de casa de suavizar os sintomas citados acima é COMER. Logo, teremos o maior consumo calórico alimentar, a maior ingestão de bebidas alcoólicas e a inatividade física relacionados ao confinamento, como os grandes causadores da curva crescente do excesso de peso e da obesidade em todo mundo.
Diante deste contexto, tratar a obesidade de forma simplista sem considerar os fatores comportamentais que nos levam ao ato de comer seria ainda mais desafiador e ineficaz. Assim, cabe aos profissionais de saúde, em especial aos nutricionistas, ter um olhar mais amplo para o tratamento. É fundamental entender a causa que levou o paciente ao excesso alimentar para definir a melhor estratégia de auxiliá-lo a sair do descontrole. Dentro deste cenário, destaca-se a importância do atendimento humanizado, acolhedor com uma escuta ativa. Entender a conexão do comportamento humano com as escolhas alimentares e desenvolver novas estratégias que vão além do cardápio alimentar serão a chave para chegar ao controle do consumo alimentar consciente e como consequência de todo esse movimento, de forma gradual e sustentável, é possível encontrar o tal balanço energético negativo que nada mais é que o emagrecimento.
Então, pratique o comer com atenção, esteja presente durante as suas refeições, procure saber diferenciar fome fisiológica e vontade de comer e coma apenas para ficar saciado/leve e nunca cheio/estufado. Lembre-se que quando você finaliza a refeição cheio/estufado você comeu mais do que precisava.
Por fim, as pessoas devem ser livres nas suas escolhas alimentares, porém é preciso educar, proteger e trabalhar contra escolhas impensadas e prejudiciais.
COLUNA CIÊNCIA E SAÚDE – PROGRAMA DE PÓS-
GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
Editor: Prof. Dr. Ricardo Queiroz Gurgel
Coordenadora PPGCS: Prof. Dra. Tatiana Rodrigues de Moura



